Como é uma dieta de restrição de calorias?

Não há estudos formais sobre a restrição de calorias em humanos. Nós sabemos que ela funciona em ratos e moscas drosófilas porque eles têm uma expectativa de vida pequena; um estudo que esperasse repetir o resultado em humanos demoraria décadas. É muito difícil imaginar uma pessoa que se candidatasse a passar fome na maior parte de sua vida quando benefícios a longo prazo ainda são desconhecidos.
A receita da longevidade?
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A receita da longevidade?

Ainda assim, nós temos algumas evidências básicas de que o regime pode ter benefícios. Em Okinawa, no Japão, por exemplo, que tem muitos centenários em sua população, as pessoas tradicionalmente consomem menos calorias. Após as duas guerras mundiais, quando o suprimento de comida era escasso, menos pessoas morreram de doenças relacionadas à idade, como doença de artéria coronária, diabetes tipo 2 e câncer [fonte: Hochman]. Quando pesquisadores no complexo autossustentável Biosfera 2 (um projeto com o objetivo de recriar os principais ecossistemas terrestres) se viram com o estoque de comida acabando nos anos 1990, eles adotaram uma dieta com restrição de calorias; um dos pesquisadores, Roy Walford, tornou-se um dos principais devotos da dieta, escrevendo livros como "A Dieta dos 120 anos" e "O Plano Antienvelhecimento". Walford morreu em 2004 de esclerose lateral amiotrófica (ELA, mais conhecida como doença de Lou Gehrig).

Mesmo sem evidência científica dos benefícios da longevidade, muitas pessoas adotaram a restrição de calorias na esperança de diminuir o processo de envelhecimento. Um defensor da restrição de calorias divulgou sua dieta diária no jornal "The New York Times" em 2003:
  • Café da manhã: um megamuffin, uma mistura caseira com 30 ingredientes incluindo gérmen de trigo cru, farelo de trigo de arroz, fermento de levedura, uma cenoura, morangos e casca de psyllium (o ingrediente ativo do Metamucil)
  • Almoço: uma barra de proteínas ou um sanduíche de rosbife, mas sem o pão
  • Jantar: uma porção de brócolis, abobrinha e salmão em conserva, totalizando 300 calorias, seguidos de uma sobremesa composta de salada de frutas cobertas por proteínas do soro de leite (açúcares simples e farinhas são os primeiros a serem eliminados numa dieta de restrição calórica)
[fonte: Hochman]


É bom notar que essa dieta não era compartilhada pela esposa ou os filhos dele, o que apenas aumentaria o trabalho envolvido nessa rotina. Restrição de calorias pode parecer um trabalho de tempo integral, que inclui medir e pesar a comida, aprender quais comidas têm os nutrientes necessários sem ser uma bomba calórica e rastrear as calorias consumidas enquanto se mantém um balanço de carboidratos, proteínas e gordura. Pode também ser uma dieta cara, já que envolve vegetais frescos e grãos esquisitos disponíveis apenas em marcas de grife.

Novamente, não há estudos formais sobre como a restrição calórica funciona em humanos. Mesmo assim, alguns cientistas pensam ter uma idéia de quantos anos uma vida regada a megamuffins irá nos dar.

 

A restrição de calorias é o futuro?

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Legumes são importantes para uma dieta com restrição de calorias.
Cientistas acreditam que consumir um número significativamente menor de calorias pode aumentar sua expectativa de vida em quatro ou cinco anos [fonte: Britt]. Mesmo que um ganho de apenas alguns anos a mais possa não parecer impressionante, considerando que os ratos de laboratório viveram muito mais percentualmente, vale considerar que a dieta pode trazer alguns benefícios adicionais à sua saúde. Em alguns estudos, a restrição de calorias diminuiu a pressão sanguínea, melhorou a saúde do coração e estimulou o sistema imunológico das pessoas. Algumas pessoas também demonstraram menor temperatura do corpo e menor nível de insulina, o que se acredita ser a ligação com a longevidade [fonte: Mason].

Esse é o problema com a pesquisa sobre longevidade e a restrição calórica: cientistas têm muitas crenças e teorias sobre como medir os resultados, mas eles não estão exatamente certos sobre o que estão procurando. Nós nem temos certeza sobre como exatamente funciona a restrição de calorias. Há duas escolas básicas de pensamento, uma defendendo que ela funciona porque o estresse de passar fome muda o corpo para uma resposta de autopreservação que ajuda a sobreviver mais com menos. Outros acreditam que por simplesmente dar menos ao seu corpo, certos sistemas não precisam trabalhar tão pesado, assim têm menos desgaste. Mas ser mais específico envolveria diferentes hipóteses sobre se genes, hormônios, radicais livres ou divisão celular fazem muita diferença.

Mesmo essas confiáveis criaturas de laboratório não ajudam a resolver tudo isso, e muitos estudos apenas demonstram o pouco que sabemos sobre essa dieta. Restrição de calorias estende a vida em moscas drosófilas, mas não em moscas comuns [fonte: Wanjek]. Ela beneficia ratos gordos, mas não os já magros, e funciona em ratos que foram criados especificamente para estudos de laboratório, mas não ratos encontrados na natureza [fontes: Britt, Wanjek]. Quando a restrição de calorias é muito extrema, com redução de 60%, os ratos morrem de fome [fonte: Wanjek].

Essa dieta pode reduzir o crescimento em crianças, mas cientistas não têm certeza quando uma pessoa deveria começar a restrição de calorias para obter benefício máximo. Ela também não seria prudente para os idosos ou doentes, e mesmo pessoas perfeitamente saudáveis podem não conseguir sustentar uma dieta tão escassa. Existem, claro, alguns efeitos colaterais por comer menos, incluindo perda da libido, interrupção de períodos menstruais, perda de memória e massa muscular, e vertigem.  Você pode parecer magro e esbelto, mas pode sofrer outros efeitos cosméticos estranhos – um artigo da revista New York falava sobre um homem que tinha mãos laranja por consumir tanto carotenóide, encontrado em alimentos como cenoura, mamão e abóbora [fonte: Dibbell].

Aqueles interessados em restrição de calorias são encorajados a consultar um médico antes de começá-la, mas não fique surpreso se você for encarado com desdém. Muitos simplesmente não acreditam que essa dieta extrema é praticável, o que é a razão de alguns pesquisadores se focarem em encontrar uma pílula que possa imitar os efeitos de uma restrição calórica. Até lá, considere o seguinte: será que vale a pena viver para sempre se você não puder pedir pipoca no cinema, viajar para a Itália por um prato cheio de macarrão ou comer um pedaço de bolo no casamento de alguém querido?